| Astronáutica parte 3 - Naves tripuladas - parte final |
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| Escrito por Renato Azevedo |
| Seg, 05 de Junho de 2006 10:28 |
![]() Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin "Buzz" Aldrin
Depois dos testes das Apollo 9 e 10 finalmente foi lançada, a 16 de julho de 1969, a Apollo 11. Tripulada por Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, aparentemente esta nave também teve encontros não previstos no espaço com “coisas” desconhecidas. Existem fotos circulando na comunidade ufológica mundial, tomadas na órbita da Lua, que mostram luzes estranhas e objetos redondos, e até mesmo uma foto da superfície de nosso satélite que exibe um ovni em forma de charuto sobre uma cratera.
E também existe o famoso diálogo entre a tripulação e o controle de terra, onde se fala de naves grandes que supostamente estariam na Lua (“esses bebês são grandes, senhor”, é uma das frases). Entretanto, não está provado que a tal gravação é autêntica. Quanto a “entrevista” de Armstrong, em que ele diria que os alienígenas os avisaram para não retornar, há sérias dúvidas, afinal o que significam nossas pequenas e toscas naves, em comparação com a tecnologia de seres que viajam entre as estrelas?
Polêmicas a parte, finalmente ocorreu o pouso no Mar da Tranquilidade, uma planície quase ao centro da face visível da Lua. E no dia 21 de julho de 1969 Neil Armstrong desceu a escada do módulo lunar e pousou o pé na Lua, dizendo a famosa fase:
“Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.
Com absoluta certeza, motivo de orgulho para todos nós. Um modesto salto, é verdade, mas as grandes caminhadas sempre têm um primeiro passo. E outros ainda viriam.
Em 19 de novembro, a Apollo 12 desceu no Oceano das Tormentas, próximo ao local de pouso da sonda não tripulada Surveyor 3. Os astronautas removeram sua câmera e a trouxeram de volta junto a outros equipamentos, e ao analisá-la os cientistas tiveram uma grande surpresa. Micróbios terrestres, do gênero Streptococus Nitis, haviam sobrevivido na Lua por quase três anos dentro do equipamento, nas condições extremas da superfície lunar. Um indício de que a vida é muito mais resistente do que supúnhamos.
A missão aparentemente também teve contato com estranhos objetos, e recentemente foi obtida a foto de um estranho objeto de formato lenticular, iluminado com luzes a seu redor. Também teria sido flagrado um objeto na órbita lunar, em uma foto com a superfície do satélite ao fundo.
O programa lunar continuou, em abril de 1970 com a Apollo 13. Coincidências numéricas a parte, por muito pouco não ocorreu uma tragédia quando houve uma explosão no módulo de serviço da nave. Da tripulação fazia parte o já citado James Lovell, que infelizmente não pôde realizar o sonho de pousar na Lua. Os fatos da missão foram muito bem explorados no filme Apollo 13.
Depois de novos planejamentos, o programa seguiu em frente. A Apollo 14 alunissou na cratera Fra Mauro em 5/2/1971. Também foram obtidas recentemente fotos dessa missão, mostrando a cratera Lansberg e um estranho objeto iluminado. A 15 pousou no Regato de Hadley, onde foi pela primeira vez usado o veículo Lunar Rover, que facilitou muito a busca dos astronautas por amostras. Em 21 de abril de 1972 a Apollo 16 alunissou em regiões mais elevadas, perto da cratera Descartes, e os astronautas fizeram duas excursões no Rover. Finalmente o programa se encerrou com a Apollo 17, que em 11 de dezembro de 1972 pousou no Mar da Serenidade. Dessa tripulação fazia parte o cientista Harrison Schmitt, aluno do famoso Eugene Shoemacker, co-descobridor do cometa que colidiu com Júpiter nos anos 90, que não pôde participar do vôo por problemas de saúde. Nessa missão foi descoberta uma área de solo alaranjado, evidência de presença de água, o que mais tarde ajudou a provar que a Lua é o resultado de uma colossal colisão de um corpo, há bilhões de anos, com a Terra.
No total, 12 astronautas em 166 horas percorreram aproximadamente 10 km na superfície lunar, trazendo para a Terra 385 kg de rochas e utilizando-se de mais de 60 instrumentos científicos, obtendo importantes resultados e avanços tecnológicos.
Cortes orçamentários levaram ao cancelamento de três missões programadas para depois da Apollo 17. Terminado o programa Apollo, o que gerou algumas críticas de que tal final foi prematuro, os Estados Unidos voltaram-se para a construção do Skylab, uma estação orbital tripulada. Mas novamente os russos saíram na frente.
A primeira estação espacial, a Salyut 1, decolou em 19 de abril de 1971. No dia 24, a Soyuz 10 foi a primeira nave a acoplar-se, sem que no entanto os astronautas entrassem na nave, separando-se depois de cinco horas e meia. Finalmente a estação esteve habitada com o vôo da Soyuz 11, lançada a 6 de junho. Infelizmente, no retorno a Terra depois de 23 dias, uma súbita despressurização na nave durante a reentrada causou a morte dos cosmonautas Georgi Dobrovolski, Victor Patsayev e Vladimir Volrov, que não usavam trajes pressurizados. Foram enterrados com glórias em Moscou.
A Salyut 2 quebrou-se em órbita em abril de 1973, e acredita-se que mais dois lançamentos sem sucesso foram tentados. Finalmente, a Salyut 3 decolou em 25 de junho de 1974. Construída, como a número 5, em torno de uma colossal câmera de reconhecimento, sua missão era basicamente militar. A Soyuz 14 ocupou-a por 15 dias, mas a nave 15 falhou na acoplagem. A estação continuou automaticamente tirando fotografias de reconhecimento, enviando-as em cápsulas de volta a Terra, antes de queimar-se na atmosfera sete meses depois do lançamento.
Os soviéticos elaboraram diversos projetos, incluindo uma Soyuz modificada para vôo lunar (certamente usando a experiência da versão Zond já comentada), a qual seria acrescido um módulo lunar de reduzidas dimensões, para um dos dois tripulantes. O plano não foi adiante, bem como o das versões militares, armadas com mísseis, da Salyut.
Serguei Korolev era o principal projetista-chefe do programa espacial soviético na época do famoso desafio do presidente Kennedy, em 1961. Na época, ao contrário dos americanos, os cientistas russos que trabalhavam no programa de mísseis e nos projetos espaciais eram os mesmos. Korolev sempre teve uma especial habilidade em manipular os militares, a fim de levar suas idéias adiante. Quanto estes pediram-lhe um míssil para carregar uma ogiva de 3 toneladas, o cientista projetou um foguete com carga útil de seis toneladas e colocou Gagarin em órbita.
Citando o pioneiro, ele teve uma morte “comum”, em um acidente com um caça que pilotava em 1967. Paradoxalmente, suas honras fúnebres foram mais modestas que as da tripulação da Soyuz 11.
Voltando a Korolev, este aceitou o desafio americano, e começou a projetar o N1, o foguete lunar soviético. Eles tinham a desvantagem de ocupar uma posição geográfica que tornava mais dispendioso o lançamento, obrigando o uso de foguetes com maior força. Korolev, em 1964, com Kruchev na iminência de ser removido, escreveu uma carta a Leonid Brejnev, o segundo na hierarquia política, dizendo que os americanos poderiam lançar homens a Lua em 1967, a tempo de estragar o 50º aniversário da Revolução Russa. Em agosto de 1964 o partido comunista aprovou o projeto de enviar cosmonautas a Lua. Infelizmente houve problemas com o instável combustível dos motores do principal projetista, Valentin Glushko, e Korolev foi obrigado a usar outro projeto, tão confiável que hoje duas empresas americanas o importam. Entretanto, eram muito pequenos, o que levou a um foguete com 30 motores no primeiro estágio. Equacionar e equilibrar tantos motores foi um desafio. Muitos problemas e intrigas políticas ocorreram, até que Korolev morreu durante uma operação de retirada de um tumor do intestino em 1966, aos 59 anos.
Seu programa continuou sob as ordens de seu vice, Vasily Mishin. Em 21 de fevereiro de 1969, já conscientes da dianteira dos americanos, testaram pela primeira vez o N1. Depois de decolar seguiu-se um vôo perfeito, até que o imenso foguete explodiu 68 segundos depois, caindo a 54 quilômetros da rampa espacial de Baikonur. Em outro teste em 3 de julho, o problema ocorreu ainda com o foguete na rampa, quando um dos motores explodiu, e o sistema de segurança desligou os demais, exceto um, inclinando o foguete que explodiu e deixou a rampa totalmente carbonizada.
Depois do sucesso americano, ao qual se somou o fracasso na missão automática da sonda Luna 15, os russos levaram dois anos para construir outra rampa. A tentativa seguinte ocorreu em junho de 1971, quando o foguete caiu a 16 km de distância. Pedaços dele ainda se encontram no solo salino. O quarto foguete subiu em novembro de 1972, e a euforia durou 107 segundos, até também explodir. Alguns especialistas ocidentais acreditam que os russos estavam na iminência de fazê-lo funcionar, e talvez um quinto lançamento fosse bem sucedido.
Alguns técnicos de foguetes ainda tentaram insistir, afirmando que poderiam fazer melhor que os americanos, “mais tarde, porém melhor”, como disse Mishin, construindo uma base lunar como uma plataforma para vôos aos planetas, mas os políticos disseram não, e encerraram o programa. Glushko assumiu o programa espacial em 1974, quando ainda tentou sem sucesso voltar a seu próprio projeto lunar. Mishin foi o bode expiatório, foi repreendido e demitido
Voltando um pouco, o Skylab americano foi lançado em maio de 1973, sendo muito maior que as primeiras Salyut. Pesava mais de 90 toneladas, e tinha uma área útil de 350 m cúbicos. A blindagem térmica desprendeu-se no lançamento, e a primeira missão foi atrasada para prepararem os reparos. Em 25 de maio, a primeira tripulação foi lançada em uma nave Apollo impulsionada pelo Saturno 1B, uma versão muito menor do Saturno 5. Realizaram os reparos e ficaram 28 dias em órbita. A segunda missão ocorreu em 28 de julho, ficando em órbita 59 dias, e a terceira e última ficou 84 dias a bordo depois de subir em 16 de novembro. Esse recorde norte-americano só foi superado quando começou o programa de acoplamentos do ônibus espacial a estação russa Mir, nos anos 90.
De notar que essa nave possuía uma série de armários de armazenagem dispostos em forma de anel. Isso possibilitou aos astronautas correr em torno dos mesmos, quase reproduzindo a famosa cena do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, que mostrava o astronauta Frank Poole correndo em volta da grande centrífuga da nave Discovery. Para completar, o curioso exercício foi transmitido a Terra ao som da magnífica música tema Zaratustra.
Ao lança-lo, a NASA calculou que a queda ocorreria apenas em 1983, quando os ônibus espaciais já estivessem em uso. Seria muito fácil, então, reativar a estação para um novo programa por até 20 anos. Variações na densidade das camadas mais altas da atmosfera terrestre, que apresenta flutuações provocadas pela variação da atividade solar, atrapalharam esses planos. Como estas ainda não podem ser muito bem previstas, é muito difícil calcular o tempo de vida de qualquer objeto em órbita. Devido a isso, o Skylab penetrou na atmosfera e desintegrou-se em 12 de julho de 1979.
Finalmente, em 15 de julho de 1975, realizou-se a primeira missão conjunta americano e soviética, com a acoplagem da Apollo e da Soyuz 19 em órbita. Depois disso, os norte-americanos abandonaram temporariamente as missões tripuladas, concentrando-se no desenvolvimento do ônibus espacial, ou space shuttle.
Com as Salyut 4 (lançada em dezembro de 1974), 5 (junho de 1976) e 6 (setembro de 1977), os soviéticos foram aprimorando sua tecnologia e fazendo experiências de longas permanências no espaço. A Salyut 6 tinha escotilhas de acoplamento de ambos os lados (técnica testada na Salyut 5), possibilitando maior flexibilidade ajudada pela nave cargueira não tripulada Progress, outro projeto derivado da Soyuz.
Uma das tripulações da Salyut 6 também teve seu encontro orbital, e mais importante ainda, o documentou em vídeo. Evidentemente, sabe-se que é mantido debaixo dos maiores segredos na famosa Cidade das Estrelas. Tudo ocorreu em maio de 1981.
Os cosmonautas Vladimir Kovalyonok e Viktor Savinikh subiram no dia 12/03/1981, e ficariam 77 dias no espaço, retornando em 14/05/81. Depois de 75 dias em órbita, a 400 km de altitude, Kovalyonok percebeu um objeto esférico a uns 1000 m da Salyut, e junto a seu companheiro puseram-se a observar e gravar as imagens. Durante quase um dia nada ocorreu, e quando acordaram perceberam que o objeto estava a menos de 100 m de distância.
Puderam perceber que a esfera tinha metade do tamanho da estação (que tinha 16 m de comprimento), uma superfície sem interrupções a não ser por 24 janelas ou portinholas, em 3 fileiras, sendo uma delas bem maior que as janelas da Salyut, e as demais bem menores. Atrás de três dessas janelas, havia cabeças de aparência humana. Usavam um tipo de capuz, do qual fazia parte um visor de aparência plástica, por onde se podia ver seus rostos, de narizes retos, sobrancelhas compridas e grandes olhos azuis. Seus rostos não revelavam qualquer expressão, as vezes sendo comparados a robôs, e os cosmonautas os descreveram como morenos semelhantes a hindus solenes.
Diante da atitude aparentemente amistosa dos seres, os cosmonautas pediram licença do controle de terra para tentar comunicação, o que foi permitido, mas vetaram qualquer contato físico.
A nave alienígena mudava de posição e se distanciava com extrema facilidade, sem ostentar qualquer mecanismo propulsor visível. Kovalyonok acabou mostrando-lhes um mapa onde aparecia nosso sistema solar, no que foi respondido por um dos seres exibindo seus próprios mapas, com nosso setor da galáxia bem definido. Ainda tentaram se comunicar com código morse usando uma lanterna, mas os alienígenas só responderam quando o russo sinalizou 101101 com a lanterna. Os flashes dos ets não foram uma simples repetição do sinal de Kovalyonok, mas sim um logaritmo da mesma base usada por ele.
Os alienígenas ainda saíram de sua nave, usando as mesmas vestimentas que usavam a bordo. Obviamente, comentam os russos, eles haviam desenvolvido um sistema de energia que não era térmico nem nuclear, e dominavam as forças da gravidade. Logo depois, a nave alienígena afastou-se e desapareceu.
Tudo isso foi discutido em uma reunião do Ministério do Planejamento da URSS em 18 de junho de 1981, presidida pelo general Georgi Beregovoi, chefe do programa espacial. Foi também exibido o filme obtido pelos cosmonautas, e o cosmólogo Aleksander Kazantsev, presente ao encontro, disse que o filme está muito bem guardado nos subterrâneos da Cidade das Estrelas. Beregovoi sempre recusou-se a comentar o assunto, mas diz-se que ele esperava novos contatos. Há suspeitas não confirmadas de outro encontro com uma nave semelhante, desta vez por parte da Salyut 7.
A estação Salyut 6 ficou em órbita até julho de 1982, sendo substituída pela Salyut 7 lançada em abril de 1982.
Esta, por sua vez, foi substituída pela Mir, cujo primeiro módulo foi lançado em 1986. Esse novo conceito de estações modulares foi extraordinariamente bem sucedido, pois a Mir ficou em órbita até recentemente, sempre sendo aumentada e reaparelhada. Experimentou problemas sérios e crises, mas foi construída por um único país, uma realização extraordinária dos cientistas russos. Muito do que foi nela aprendido está sendo usado na Estação Espacial Internacional, que começou a ser construída no final dos anos 90.
O ônibus espacial norte-americano sofreu diversos atrasos, devido ao fato de ser a primeira nave espacial reutilizável. Em grande parte, essa habilidade se deve aos milhares de ladrilhos de cerâmica que são colados ao corpo de alumínio da navecomo proteção para a reentrada na atmosfera, um sistema complexo que demorou até ficar confiável. Diversos sistemas lançadores foram considerados, incluindo uma imensa nave a turbinas que carregaria o shuttle até a parte superior da atmosfera, quando então a nave acionaria seus foguetes para a órbita. O custo era mais baixo, mas o peso a transportar também.
Portanto, foi escolhido o sistema de um imenso tanque externo para alimentar os motores-foguete na cauda do orbitador, apoiados por dois imensos foguetes de combustível sólido, os primeiros a serem utilizados em vôos tripulados. De notar que o protótipo do ônibus, várias vezes testado em vôo depois de lançado “da garupa” de um Boeing 747 modificado, foi batizado de Enterprise devido a nave do seriado Jornada nas Estrelas. Entretanto, o Enterprise jamais foi desenvolvido para ser lançado em órbita.
A primazia coube ao Columbia, lançado em 12 de abril de 1981 com Robert Crippen e John Young, o veterano já citado, a bordo, na primeira missão tripulada americana em quase seis anos. O vôo foi um sucesso completo, e o mundo vibrou com as belas imagens do pouso da nave, quando o ônibus se comporta como um planado, voando sem motor.
Muito das técnicas empregadas foram testadas em pequenos aviões experimentais nos anos 70, que planavam de volta ao solo depois de lançados por bombardeiros como o B-52. Um desses foi o HL-10, o mesmo mostrado no seriado O Homem de Seis Milhões de Dólares, quando do acidente a que se seguiu a operação biônica do Major Steve Austin.
Ao Columbia seguiram-se o Challenger, Discovery e Atlantis. Infelizmente, o Challenger foi perdido na explosão de janeiro de 1986, matando os sete tripulantes no maior desastre espacial da História. Foi substituído pelo Endeavor. E infelizmente, no começo de 2003, perdeu-se o Columbia e toda sua tripulação. É esperada para 2005 a retomada dos vôos das naves remanescentes.
Alguns dos detalhes dessa classe de naves são os cinco computadores que votam nas possíveis soluções dos problemas, a maioria vencendo, o braço mecânico que serve para uma imensa variedade de tarefas, e uma série de foguetes auxiliares por todo o corpo, para manobras orbitais. Medindo 36 metros e pesando 75 toneladas, os ônibus espaciais já carregaram o laboratório cilíndrico Spacelab, construído na Europa, dentro do compartimento de carga, lançaram e repararam o telescópio Hubble, lançaram a sonda Galileu a Júpiter, acoplaram-se a estação russa Mir, e hoje estão envolvidos na construção da ISS, a Estação Internacional.
E, claro, também tiveram seus encontros estranhos em órbita. Um dos mais conhecidos é o da missão STS-48, do Discovery, mostrando um filme com a Terra ao fundo, onde se pode perceber um objeto luminoso avançando, no sentido direita para a esquerda na tela. Subitamente ocorre um tipo de clarão, e o ovni faz uma curva em ângulo reduzidíssimo para a direita da imagem, enquanto algo muito veloz (um míssil disparado da Terra?), passa em velocidade, subindo bem no ponto em que o ovni estava antes da mudança de rota.
Uma pessoa da NASA disse que isso poderia ser explicado como despojos espaciais em órbita, ou mesmo água usada e descartada pelo próprio ônibus espacial. Como sempre, “explicações” que mais confundem do que explicam, e uma frustrante falta de provas irrefutáveis.
Outra missão do Discovery revestiu-se de mistério quando, em setembro de 1989, um radioamador de Maryland captou a seguinte transmissão de um canal usado pela NASA:
“Houston, aqui é Discovery, ainda temos a nave alienígena sob observação”.
Na missão de número 51 dos ônibus espaciais, em novembro de 1984, também do Discovery, foram resgatados os satélites Westar VI e Palapa B2, e nas fotos aparece claramente um objeto esférico ao fundo. Outro ovni esférico foi filmado pela missão STS-37 de abril de 1991. E a Discovery novamente filmou ovnis no vôo STS-80, em janeiro de 1997, em uma imagem mostrando a Ásia ao fundo, quando um objeto, aparentemente vindo do espaço, penetra na atmosfera terrestre, iluminando-se. Depois aparecem outros, em número de seis, fazendo várias manobras que a câmera de nossa nave acompanha. Apenas depois que eles desaparecem a câmera se volta para o compartimento de carga do orbitador.
Houve mais informações esparsas de outros contatos, alguns descrevendo coisas do tamanho de nossos porta-aviões. Continuamos aguardando os filmes e provas de tais encontros.
Atualmente estão sendo desenvolvidas várias naves, para complementar e substituir o ônibus espacial. De notar que os russos, no final dos anos 80, mostraram ao mundo o Buran, sua versão do orbitador, que realizou apenas um único vôo sem tripulação. Ao contrário do sistema norte-americano, para impulsioná-lo era usado o colossal foguete Energia. Infelizmente, com o colapso da União Soviética e a consequente crise financeira, o projeto foi abandonado. Não houve dinheiro até para separar o Buran 2 do foguete Energia, e ambos são mantidos num hangar na Rússia.
A China desenvolve um projeto para vôos tripulados, baseado na Soyuz russa. Mas é nos Estados Unidos que são concentrados os maiores esforços. Alguns dos projetos em andamento são o X-34, X-37 e o X-33. Destes, o maior destaque é para este último. Com fuselagem triangular, duas aletas verticais e curtas asas inclinadas na parte posterior da fuselagem, ele dispensa o caro sistema dos ônibus espaciais atuais. Usando uma nova geração de motores-foguete em forma de cunha (e não mais de sino como os atuais), esses engenhos se adaptam a diferença de pressão atmosférica durante o vôo, o que aliado a ampla fuselagem com muito espaço para combustível, tornará o X-33 independente do uso de tanques ou foguetes auxiliares. Ainda decolando na vertical, poderá desempenhar as mesmas funções dos atuais orbitadores, espera-se, por uma fração de seu custo.
Já houve projetos de naves muito mais grandiosas que as atuais, capazes de nos levar aos planetas, e mesmo as estrelas. Um exemplo é a Orion, da qual participou o famoso cientista Freeman Dyson. Uma grande cilíndrica construída em órbita da Terra, equipada com uma colossal placa na parte traseira, unida a nave por grandes amortecedores. A cada segundo, uma carga ou bomba nuclear seria ejetada para trás e detonada, e os amortecedores garantiriam um impulso suave. Calculou-se que seria possível chegar até a dez por cento da velocidade da luz, mas todo o desenvolvimento parou quando foi assinado o tratado proibindo o uso de armas nucleares no espaço.
Outro projeto foi o Deadalus, da Sociedade Interplanetária Britânica. Ela seria acionada por fusão nuclear, semelhante ao foguete de plasma já mencionado na primeira parte. Uma série de microexplosões impulsionaria a nave, talvez a dez ou quinze por cento da velocidade da luz. Uma viagem a Alfa Centauri, por exemplo, levaria então 43 anos.
Outra alternativa seria o projeto de jato interestelar proposto por R. W. Bussard, uma imensa nave que captaria com um coletor a matéria difusa, especialmente átomos de hidrogênio, que flutua entre as estrelas, acelerando-a em uma máquina de fusão e a ejetando da parte de trás. O hidrogênio seria usado como combustível e massa de reação. Porém, como há um volume muito pequeno de matéria por centímetro cúbico no espaço, o coletor teria que ter dezenas ou mesmo centenas de quilômetros para funcionar. Seria uma nave do tamanho de um pequeno mundo.
Voltando a nossos dias, está em plena marcha o concurso da Fundação Prêmio X, que visa a construção de uma nave capaz de vôo suborbital levando três tripulantes, e capaz de repetir a viagem dentro de duas semanas. É a mais séria proposta para criar o turismo espacial. Várias equipes ao redor do mundo se candidataram, mas o Prêmio finalmente foi vencido pela Scaled Composities e sua nave Spaceship One, projetada por Burt Rutan. Ele ficou famoso como o criador do avião Voyager que, em 1986, deu a volta ao mundo sem escalas nem reabastecimento. Em um intervalo de menos de uma semana, o avião White Night carregou a Spaceship One até pouco mais de 10.000 m de altitude, onde a nave se desacoplou e acionou seu motor foguete, subindo em um vôo suborbital até superar os 100 km de altitude. Já foram anunciados planos para a construção de naves inspiradas na Spaceship One, para realizar o sonho de tornar o espaço acessível a todos.
E é muito importante essa popularização. Quanto mais pessoas experimentarem a sensação de penetrar na borda da fronteira final, mais perceberão a grandiosidade inimaginável do Universo, e mais se darão conta que as fronteiras nacionais são apenas linhas imaginárias sem qualquer sentido. Essas pessoas, como os próprios astronautas norte-americanos e cosmonautas russos que se tornaram amigos, compartilharão então o sentimento de irmandade e humanidade com muito maior intensidade.
Quanto mais formadores de opinião puderem ter essa experiência, talvez mais próximos ficaremos da sonhada paz mundial.
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