| Star Trek 11, já vimos! |
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| Escrito por Surya Bueno |
| Qua, 06 de Maio de 2009 00:00 |
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Porque o mundo precisa de Jornada nas Estrelas Amigo trekker, que se sentiu tão órfão, vazio e solitário nos últimos anos, desde o prematuro cancelamento de Jornada nas Estrelas – Enterprise, pode soltar o grito da garganta, e preparar-se para ir ao cinema muitas, muitas vezes, e vibrar, rir, torcer e se emocionar. Já conferimos o mais novo filme de Jornada nas Estrelas, e podemos confirmar: é maravilhoso, um filmaço!!! Bom, se você não quiser SPOILERS, pode parar de ler agora, NEM PENSE em continuar a leitura, combinado? Vamos fazer a contagem regressiva: Mas obviamente, isso acaba sendo uma vantagem, pois o fá irá pescar todas ou quase todas as inúmeras referências dessa estupenda nova produção, e se não for daqueles mais radicais, ficará não apenas satisfeito, mas de alma lavada. Os xiitas, lógico, irão querer a cabeça de J.J. Abrams numa bandeja de prata, servida com uma generosa provisão de cerveja romulana. Mas não, se você é apenas fã, que vive e respira a boa e velha Ficção Científica e mais ainda, o inigualável universo criado pelo inesquecível Gene Roddenberry, vai amar o filme! A escala é algo jamais visto em Jornada nas Estrelas, o visual é fabuloso, e a história emocionante. J.J. Abrams, sempre ele, ousou e foi extremamente bem sucedido. Evidentemente, há grandes mudanças se formos nos basear no cânone, mas mal havia saído da exibição, me peguei pensando uma coisa. Roddenberry deixou claro, incontáveis vezes, o quanto deplorava dogmas e fanatismo. A solução dele para esse processo, que impede as pessoas de pensarem, foi extremamente simples. Digam, alguém aí já viu uma capela na Enterprise? Não, né? Então, por que raios deveria o cânone virar um dogma intocável e inacessível, e todos aqueles que pretensamente o infringirem deverão cumprir uma temporada pelo resto da vida em Rura Penthe? Estar aberto as possibilidades, foi essa mensagem que o Grande Pássaro da Galáxia nos transmitiu! Então, meus amigos, façam um favor a vocês mesmos, não levem a ferro e a fogo, e entrem na sala de cinema com a mente aberta, conforme Mulder aconselhava a Scully... ôpa, esse é outro universo! Acredito que foi em Ira de Khan que Spock, e depois Kirk, disseram algo como “quero acreditar que existam infinitas possibilidades”. E obviamente todos estão sabendo que o novo filme envolve viagens no tempo, e o que o bom Dr. Brown (esse é outro universo também...), disse? Mudanças são inevitáveis, e convenhamos, nossa venerável e querida Tripulação Original foi useira e abuseira de aprontar pelo tempo. E em ST 11, as mudanças começam desde o início do filme, como ficará óbvio mais adiante na trama. Mas essa mesma trama é autoexplicativa, os personagens falam a respeito, então tudo acaba formando um todo coerente, e querem saber? Mesmo assim, dentro da tradição trekker. Assistam e confiram! E já que falamos em Ira de Khan... vejamos, como insinuar sem revelar em excesso? Lembram quando Kirk disse que não gosta de perder? O que ele contou pro filho e a Dra. Markus, mesmo? É, turma, está no filme esse famoso teste! A cena é absurdamente hilária e fantástica! ![]() Falemos dos atores. Resumidamente, Chris Pine É Jim Kirk, Zachary Quinto É Spock, Karl Urban que está estupendo É McCoy... bem, todos os personagens que aprendemos a adorar ao longo dessas décadas estão lá. Os jovens atores conseguiram reproduzir as falas, os tiques, todas as características brilhantemente apresentadas pelos veteranos, e ainda introduzir suas próprias interpretações, com magníficos resultados. Particularmente, no momento em que McCoy aparece pela primeira vez, quando ele e Kirk se conhecem e imediatamente firmam sua grande amizade, é como se o saudoso DeForest Kelley estivesse de volta. Pessoalmente, lembrei imediatamente de sua primeira cena no primeiro filme da franquia. E suas tiradas mau-humoradas, o princípio de suas discussões com Spock, quando inclusive alude a cor do sangue vulcano... absolutamente brilhante, e uma bela e tocante homenagem ao original. Vemos um McCoy que, ao lado do heroísmo de Kirk e da lógica de Spock, é o elo humano da trama, como tantas vezes mostrou o inesquecível DeForest. Zachary Quinto, a cada papel, vai demonstrando o soberbo ator que é. Gente, pensem bem, Spock é meio vulcano! Sua mãe é humana, e chega a ser chocante ver como o menino é tratado pelos coleguinhas. Crianças são “muito” inocentes, sei, sei... E lembrem que as reprimidas emoções vulcanas são intensíssimas, então pensem como é equilibrar isso com sua herança também muito emocional e humana! Depois, quando ele vai responder perante o Conselho de Vulcano por seu desejo de alistar-se na Frota Estelar, aí tudo é confirmado, e aquele É o Spock que conhecemos! O eterno confronto entre a emoção e a lógica sempre foi um dos atrativos, e este filme honra a tradição trekker com brilhantismo. ![]() Chris Pine lembra sim o grande William Shatner. Oras, turma, vai dizer que o original Kirk mulherengo e encrenqueiro, que cansou de colocar a Enterprise e todos dentro dela em perigo de morte só prá mais uma vez provar que é macho, não condiz com a nova e jovem versão? Francamente, não demora um minuto prá descobrir que o mesmo Kirk está ali, apenas esperando a oportunidade para desabrochar. ![]() Zoe Saldana de minissaia, precisa dizer alguma coisa? Sim, o melhor figurino feminino da história da Ficção Científica, o vestidinho curto com botas, está de volta! Mas claro que a moça está perfeita, tem uma participação fundamental e é muito importante no apoio a Spock num dos pontos cruciais da trama. E é sensacional quando, em um momento de tensão perto do final, ela dá atenção ao vulcano deixando Kirk obviamente incomodado. Ele ainda tenta fazer uma pergunta a Spock, mas a resposta deste é de rolar de rir. Sulu e Chekov acabam não tendo tanto destaque, mas abrilhantam o filme de forma digna. O primeiro, ao lado de Kirk (era para ter um red shirt acompanhando-os, mas vocês podem lembrar o que costuma acontecer com os red shirts...), tem uma das cenas de ação mais estupendas da história de Jornada nas Estrelas. Chekov, por outro lado, acaba roubando algumas cenas, acharam mesmo que aquele carregado sotaque russo não daria problema, quando da operação de algum equipamento? Mas o garoto acaba salvando o dia com suas habilidades, provando que merece estar na nave mais importante da frota. ![]() E falando da Enterprise... Para este co-editor, um dos momentos mais sublimes da FC é o surgimento dessa maravilhosa e inigualável nave totalmente reformada, ainda no primeiro filme. Esta e a NCC 1701-A sempre foram minhas preferidas (confesso que sempre achei a da Clássica muito tosca, sempre os problemas orçamentários). Mas a reestilização da Enterprise clássica para o novo filme ficou de tirar o fôlego! É inevitável abrir um largo sorriso e sentir as lágrimas aflorarem, quando essa legendária nave surge em todo seu esplendor, nos fazendo reproduzir as mesmas expressões de McCoy e Kirk ao se dirigirem para ela. E já que estamos em naves, a Narada, a nave do vilão romulano Nero, é algo de amedrontador, e que por isso mesmo acaba também se revelando atraente. Sua presença é impressionante, e os resultados funestos de sua operação nos fazem sempre lembrar do que está em jogo. E Nero revelou-se um grande vilão, com uma obstinação maior que a vida. ![]() Outro que honra a tradição é Simon Pegg como Scotty. Tem os mesmos cacoetes e sotaque do também saudoso James Doohan, e rouba as cenas em que aparece, já se revelando o futuro “fazedor de milagres” que se tornou uma lenda. E claro, pouco antes de aparecer o jovem Scotty, quem aparece é o veterano Spock. Desnecessário e até impossível descrever a emoção que é ver Leonard Nimoy novamente no papel que ele nasceu para fazer. Se houver vários trekkers no cinema, os gritos e palmas ocorrerão neste momento. E para terminar com Scotty, prestem atenção a referência a mais recente série, Enterprise! O filme tem pouco mais de duas horas, mas acontecem tantas coisas, são tantos os detalhes, e tão grandiosa a história, que acaba passando muito rápido, demais até. Ah, claro que Bruce Greenwood igualmente honra a tradição de comandantes heróicos com seu Christopher Pike, o homem que convence James Kirk a entrar na Frota Estelar. E termina o filme com uma pequena referência a Série Clássica. E falando em referências, a trilha sonora é estupenda e emocionante, e não deixem de ver os créditos, que trazem uma surpresinha musical. Ao final dos créditos, aliás, uma bela homenagem a Gene e Majel. E um pouco antes, na cena final do filme, certas palavras que farão os trekkers vibrar! Star Trek 11, o filme que chega nesta sexta, dia 8 de maio, aos cinemas, é de longe o melhor filme de Jornada nas Estrelas desde Primeiro Contato. E mesmo este tinha seus problemas, pessoalmente nunca engoli o até então cerebral e intelectual Jean-Luc Picard dando uma de Rambo com crise de meia-idade. Em termos de apresentar mais uma vez aqueles conhecidos valores, de amizade, companheirismo, união diante da adversidade, esse novo e maravilhoso filme pode tranquilamente, na opinião deste fã, ficar ao lado de outras grandes produções da franquia. A última vez que vimos esses personagens no cinema havia sido em A Terra Desconhecida, e ST 11 sem dúvida quebra uma tradição trekker, a de que os filmes ímpares nunca são muito bons. É indescritível a emoção de ver finalmente um grande filme de Jornada nas Estrelas no cinema depois de tantos anos, e nestes tempos de mudanças profundas no mundo, isso não poderia acontecer em melhor hora. Depois de uma era de medo e desconfiança, é muito importante que os valores sempre defendidos pela Ficção Científica em geral, e por Jornada nas Estrelas em particular, estejam de volta em uma nova roupagem, digna do século XXI. O objetivo sempre declarado da nova produção foi revitalizar a franquia, ao mesmo tempo promovendo o surgimento de novos fãs, e o resultado realmente superou as expectativas e os medos iniciais. ![]() Nessa onda dos reboots, Jornada nas Estrelas com certeza se deu muito melhor que outros universos, como 007 e Star Wars. Star Trek 11, para este co-editor (que também é fã da saga da Galáxia Muito, Muito Distante, bem entendido), e sem querer incendiar inúteis e bobas rivalidades, revelou-se muito superior a nova franquia de Star Wars, ao menos bem melhor mesmo que os Episódios I e II. Já se fala abertamente de novos filmes, e que venham! Quem sabe, abusando do eterno otimismo de Jornada nas Estrelas, até uma nova série. Star Trek 11, esse presente maravilhoso que nos foi dado por J.J. Abrams, possibilitou tudo isso, esse já longamente ansiado renascimento da franquia trekker. E falando em otimismo, essa é sem dúvida a principal e mais importante razão de porque o mundo precisa de Jornada nas Estrelas. Esse irresistível e brilhante futuro em que a humanidade deixou de lado todos os ódios, desconfianças, medo, preconceitos e desunião e finalmente deu certo, que encantou gerações de fãs e mudou tantas vidas mundo afora, precisa ser novamente mostrado as novas gerações. Apesar da completa ignorância e imbecilidade de uns e outros nesta Terra Brasilis, quer continuam a fazer chacota com Star Trek, o fato é que a série original teve um indiscutível pioneirismo. A primeira astronauta negra da NASA foi inspirada por Uhura, e por sinal, uma mulher, oficial, e ainda por cima negra, na ponte de comando? E que tal um russo ali do lado, em plena Guerra Fria? Ou um japonês, pouco mais de 20 anos após Pearl Harbour? E um alienígena como primeiro oficial!? Se os pobres coitados que não entendem a nós, fãs, tivessem a capacidade de absorver esses conceitos, não falariam tantas asneiras. Ou não tolerariam, ainda hoje, em certas novelas por aí, a empregada negra servindo a família branca e rica. É, mas lembrem que pare eles, os medíocres, Ficção Científica é subcultura... E claro que já cansamos de provar que eles estão errados, mas os medíocres são teimosos. Mas vivemos os anos Obama! Nestes tempos de renovação, depois de anos de produções violentas, sombrias e pessimistas, e até mesmo diante da estupidez e incentivo a mediocridade que continuam a rolar soltos em muitos países, incluindo alguns nem tão distantes assim, é bem provável que tenha chegado o momento de voltarmos aos bons tempos da Ficção Científica otimista e até utópica. E por gerações, Jornada nas Estrelas mostrou que, abolindo dogmas e preconceitos, e defendendo o aperfeiçoamento pessoal e por conseguinte da própria sociedade, é possível sim mudar para melhor. E retornar a essa utopia otimista que está nas origens da Ficção Científica e sempre foi a melhor característica do universo roddenberriano, trazida de volta com absoluto brilhantismo no novo filme, pode e deve estar na ordem do dia. O mundo precisa de Jornada nas Estrelas, então vamos invadir os cinemas, e audaciosamente explorar esse novo mundo que se abre para os fãs! Vida longa e próspera, e até a próxima! |