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Somos Primeiro Mundo!
Os ilustres amigos do Aumanack devem ter percebido, no decurso dos últimos
dias, a ausência deste co-editor.
Eu estava em Curitiba, Paraná, participando como consultor da revista UFO
que também sou, do III Fórum Mundial de Ufologia o maior evento da área,
realizado no Hotel Promenade.
Foram 4 dias, de 11 a 14 de junho, com as maiores mentes da Ufologia
mundial, recheados de palestras, workshops, debates, e como é habitual,
encontro e bate-papo entre amigos.
Na tarde de quinta, dia 11, os trabalhos começaram com uma palestra de Jaime
Lauda, astrólogo, conferencista, escritor e apresentador de um programa por
uma emissora do Paraná, além de consultor da revista UFO. O tema, mais que
adequado ao Ano Internacional da Astronomia, foram os 40 anos da missão
Apollo 11, a primeira a chegar a Lua. Mesmo que inicialmente movido
unicamente por motivos políticos da Guerra Fria, o Projeto Apollo forneceu a
humanidade conhecimentos e tecnologias que nos trouxeram a era da informação
de hoje.
Outra apresentação a destacar no primeiro dia foi de Toni Inajar, falando a
respeito de fotos de ovnis e como podem ser analisadas, a fim de distinguir
entre as verdadeiras e as fraudulentas.
O tema foi similar a palestra que abriu o segundo dia, apresentada por
Ricardo Varela, discutindo os erros de interpretação e fenômenos óticos que
costumam ser confundidos com discos voadores.
No primeiro e segundo dias, houve também palestras com pesquisadores
argentinos tais como Luis Reinoso e Guillermo Aldunatti, e no dia 12, sexta,
o destaque foi para a concorridíssima palestra do espiritualista e
projeciologista Wagner Borges, que também conduziu um workshop na noite do
primeiro dia.
A sexta encerrou-se com o workshop do italiano Roberto Pinotti, o principal
nome da Ufologia de seu país, e autor inclusive de um livro traduzido para o
português, OSNIs: Objetos Submarinos Não Identificados, lançado pela revista
UFO. O tema foram os casos de discos voadores fascistas, em que comentou a
respeito de possíveis avistamentos na metade dos anos 1930 na Itália, que
motivaram um estudo por parte de grupos secretos constituídos pelo ditador
Benito Mussolini, quando se acreditava que os ovnis eram armas secretas de
outros países europeus. Pinotti defende que os projetos resultantes foram
divididos com a Alemanha nazista.
O sábado, 13 de junho, foi um daqueles dias memoráveis, do tipo que dá
orgulho dizer "eu estava lá"! O dia começou com a composição da mesa oficial
dos militares, e a seguir as palestras destes.
O primeiro a falar foi o Brigadeiro José Carlos Pereira, que foi comandante
do COMDABRA (Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro), órgão com sede em
Brasília e que, entre outras atribuições, concentra todos os documentos e
relatórios produzidos dentro da Força Aérea Brasileira sobre Tráfego Hotel,
que é a designação dos ovnis no jargão militar. O Brigadeiro também foi
presidente da Infraero na época da crise aérea, e recentemente comentou com
jornalistas a respeito do acidente com o avião da Air France. Pereira
defendeu o estudo científico dos UFOs, por ele comparado a uma perícia
criminal, citou a famosa frase de Carl Sagan "a ausência de evidência não é
evidência de ausência", e que o mais importante é permanecer firmes na
sistemática e na ética do estudo ufológico sério, pois assim os resultados
virão.
A seguir falou o coronel Antônio Celente Videira, membro do corpo permanente
da Escola Superior de Guerra, traçando um pouco da história dos estudos de
ovni da FAB, dos anos 1950 até o SIOANI, o Sistema de Investigação de
Objetos Aéreos não Identificados, que durou apenas de 1969 a 1972. Destacou
os países que possuem órgãos de pesquisa oficial e militar sobre os discos
voadores, e lamentou que o Brasil, em uma época em que está em pleno curso a
campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, conduzida também pela revista
UFO, não tenha uma comissão similar, com cooperação entre os militares e os
ufólogos civis. Celente encerrou, aplaudido de pé pelos presentes, dizendo
que a cooperação nos levou da pré-história a fronteira do oceano cósmico, em
uma nova menção ao saudoso Carl Sagan, enfatizando novamente o desejo dos
militares em apoiar a causa dos ufólogos.
E essa manhã inesquecível foi encerrada com a apresentação do Coronel
Leônidas de Medeiros Júnior, comandante do Cindacta II, sediado lá mesmo em
Curitiba. O Coronel descreveu como funciona o sofisticado sistema integrado
de defesa aérea brasileiro, e até descreveu um quase contato imediato que
teve, quando foi enviado em seu caça supersônico interceptar um tráfego
desconhecido sobre o estado de São Paulo. Não viu nada, mas o possível ovni
foi detectado pelo radar de terra, parecendo saltar de um ponto a outro.
O dia terminou com um workshop de Stanton Friedman, ufólogo canadense muito
solicitado para fotos e conversas durante o Fórum, por ser ninguém menos do
que o pesquisador que redescobriu o Caso Roswell em 1978, e que foi o tema
dessa apresentação.
Você, fã de Fantasia e Ficção Científica, deve se lembrar de uma variada
gama de produções a enfocar o Caso Roswell. A série Roswell, sobre os
alienígenas adolescentes daquela cidade do Novo México, o episódio Little
Green Men, de Jornada nas Estrelas: Deep Space 9, a maravilhosa série Taken
de Steven Spielberg (cadê o DVD?), e claro, a clássica, inimitável,
insuperável e saudosa Arquivo-X!
Essas séries existiram somente porque esse cara, Stanton Friedman, quase por
coincidência, conseguiu em 1978 conhecer e entrevistar Jesse Marcel,
protagonista de primeira do Caso Roswell, na primeira semana de julho de
1947. Marcel era oficial de Inteligência da única base do mundo, na época,
equipada com armas atômicas. No Workshop, Stanton contou sua história, como
foi recolhendo informações e evidências, através de diversas testemunhas
civis e até militares. Também falou sobre os famosos e polêmicos documentos
Majestic 12, não deixando dúvidas de que os considera genuínos.
E chegou o último dia, com palestras do peruano Anthony Choy, do italiano
Pinotti, de Stanton Friedman desta vez falando sobre os discos voadores e a
ciência, tema também de seu livro Flying Saucers and Science, que esteve a
venda durante o evento e simplesmente esgotou-se ainda no sábado.
A concorridíssima palestra da Dra. Mônica Medeiros, que trata de pessoas que
foram abduzidas, foi outro dos destaques do último dia, antes da
apresentação breve, mas completa, de Fernando Ramalho, que é assessor
parlamentar no Congresso Nacional e também consultor da UFO, além de um dos
principais responsáveis pela liberação dos arquivos antes secretos da Força
Aérea Brasileira, agora disponíveis no Arquivo Nacional.
Os mesmos "Arquivos-X brasileiros" podem ser baixados em PDF, mas como ainda
estamos no Brasil, a abertura dos arquivos tem sido lenta, motivo pelo qual
a campanha Liberdade de Informação Já prossegue cada vez com ânimo renovado.
Para este co-editor, participante de primeira viagem em um evento ufológico
deste porte, foram dias absolutamente inesquecíveis. Uma experiência de vida
sensacional, onde o grande destaque foram as conversas com amigos. Também
foi muito bom trocar impressões e informações com essas duas lendas da
Ufologia mundial, Roberto Pinotti (o italiano é uma figuraça, e felizmente
fala inglês) e Stanton Friedman.
De tudo, posso tranquilamente dizer que, apesar da qualidade dos
estrangeiros, os pesquisadores brasileiros estão, no mínimo, no mesmo nível
destes. E frequentemente, em nível bem superior! Comparando algumas
apresentações, dá para dizer sem dúvida que os brasileiros, em termos de uso
da informática para as apresentações, superaram de longe alguns dos
estrangeiros, alguns ainda utilizando transparências e slides.
No sábado houve um grande jantar em uma churrascaria, em uma grande
confraternização, e naturalmente após o encerramento no domingo pintou a
famosa ressaca pós evento, que tanto conhecemos e sentimos após uma Jedicon
ou Dia do Fã.
Na viagem de volta, apreciando pela janela do ônibus as belíssimas paisagens
das serras do norte paranaense e do sul paulista, também havia a certeza de
ter participado de algo grandioso e histórico.
Enfim, o que dizer? Apesar de uns e outros tentarem ficar amolando, a
verdade é que foi um magnífico evento, lotado de personalidades importantes
(e por incrível que pareça, muita mulher bonita também!), e que deixou claro
que o tão aguardado contato final depende apenas de muita seriedade,
cooperação e trabalho duro na construção de uma Ufologia séria. Lembrem-se,
Eu Quero Acreditar, mas sempre com os pés bem plantados no chão!
Nos próximos dias, fotos e novos artigos estarão sendo publicados no site da
revista UFO ( http://www.ufo.com.br ), e em uma das próximas edições da
revista. |