| Paradigmas 1 |
|
|
|
| Escrito por Renato Azevedo |
| Sex, 30 de Outubro de 2009 16:54 |
|
A literatura fantástica brasileira experimenta um boom de lançamentos desde 2008, com vários títulos tanto de Fantasia quanto de Ficção Científica. A Tarja Editorial vem sendo uma das editoras mais ativas, e aqui no Aumanack já apresentamos resenhas de Fábulas do Tempo e da Eternidade, de Cristina Lasaitis, e de De Roswell a Varginha, de nosso co-editor Renato Azevedo. Uma das iniciativas mais inovadoras vem sendo a Coleção Paradigmas, uma série de livros já com três volumes publicados, trazendo contos de autores selecionados que navegam entre todos os gêneros fantásticos. Um dos destaques é a forma como os contos são apresentados em uma diagramação inovadora. Na página de abertura de cada conto há um texto extra na margem esquerda, cujas linhas correm de baixo para cima e onde o próprio autor explica o trabalho e a inspiração para escrever seu conto. MAI-NI Express, de Richard Diegues (organizador do projeto e editor da Tarja), abre coletânea, trazendo uma história em um futuro distópico onde motoboys altamente tecnológicos e com alto poder de fogo percorrem as estradas levando encomendas. O ponto mais interessante é o acesso a realidade virtual a bordo, o que deve ser o primeiro experimento de um novo tópico da informática chamado realidade aumentada, dentro da literatura brasileira. Vento, seu Fôlego. O Mundo, seu Coração, de Jacques Barcia, chega a ser hermético em sua tentativa de fazer uma releitura atual de uma das passagens de dois dos maiores épicos de todos os tempos, os poemas indianos Mahabharata e Ramayana. Com Um Forte Desejo, M.D. Amado conta no texto de apresentação que quis escrever um conto sobre o ponto de vista da mulher, e esta é uma história de aprisionamento, paixão e também bastante assustadora. Muito cuidado com o que você faz em busca do prazer... O Mendigo e o Dragão, de Bruno Colbi, outro conto em uma realidade distópica que tem sido bem frequente entre os autores brasileiros, traz dois policiais corruptos e um mendigo em uma história cujo final não pode trazer esperança, pois envolve a presença maléfica e poderosa de um dragão. Não acorde os dragões! Una, de Roberta Nunes, traz uma criatura mutante percorrendo incontáveis mundos, até chegar a um bem familiar. É daquelas histórias que nos lembram a nunca provocar a vingança de uma mulher. O tormento pode ser eterno... Fogo de Artifício, de Eric Novello, é outro conto inspirado nos clássicos, desta vez em Alice no País das Maravilhas. Visita um mundo mágico, mas toxicante e perigoso, uma viagem alucinada no que é também uma história policial. É difícil falar de Aqui há Monstros, de Camila Fernandes, sem entregar uma grande surpresa ao final. Lógico, aquele que conhece as mitologias clássicas vai encontrar algumas pistas para desvendar o mistério. As autoras brasileiras do gênero fantástico, como as que participam desde primeiro volume do Paradigmas, escrevem em sua maioria com tal sutileza que sua leitura é sempre surpreendente. Isso também vale para Sinfonia para Narciso, de Cristina Lasaitis. Inspirada na história de amor do mito de Narciso, Cristina criou um conto alucinante, onde a obsessão se torna indistinguível da paixão. A autora diz no texto introdutório que pretendeu dar um final feliz a história, e vale conferir se o objetivo foi cumprido. A Lenda do Homem de Palha, de Leonardo Pezzella Vieira, traz uma história de terror contada pelo ponto de vista do monstro. Original e aterrorizante, vale conferir. A Teoria na Prática, de Romeu Martins, atualiza as tramas conspiratórias de forma bem explícita e divertida, e pode ser o conto mais próximo de nossa realidade de todos. Um dos melhores do livro. O Combate, de Maria Helena Bandeira, tem uma história de antigos deuses e sacrifícios, uma forma de justiça final e drástica. A história é envolvente e sufocante, mas nada pode preparar o leitor para a surpresa no final. O Templo do Amor, de Ana Cristina Rodrigues, busca inspiração nas incontáveis tramas da literatura mundial que falam do Amor e da Morte. Sacerdotisas, mercenários, mil planetas, uma história envolvente e provocante, mais uma com um final surpreendente. Madalena, de Osiris Reis, não é para estômagos fracos. Uma inocente menina é perseguida por monstros, tanto aqueles que vivem nas sombras, quanto os que caminham muito próximo de nós mesmos. De novo, nem pense em provocar a vingança de uma mulher, mas o final, depois de tanto sofrimento, por incrível que pareça nos traz um sentimento de esperança. A Coleção Paradigmas neste primeiro volume já mostra a que veio, com histórias originais e que se pretendem que também inspirem as pessoas, como os clássicos que deram origem a muitos dos contos. Marcar época, e mostrar tramas atemporais para outras épocas, é o objetivo da coleção. A literatura fantástica brasileira está em expansão, e merece ser prestigiada. |