A melhor imagem de Plutão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Renato Azevedo   
Ter, 09 de Fevereiro de 2010 00:00
Em uma época na qual se fala tanto em Marte, alvo mais constante dos
programas espaciais mais atuantes, vale sempre lembrar que o Sistema Solar
tem outros objetos também muito fascinantes. Como Plutão, por exemplo.
Descoberto em 1930 por Clyde Tombaugh, a observação desse agora denominado
planeta-anão sempre foi muito difícil. Mesmo para os mais poderosos
instrumentos atuais, o que inclui até o Hubble (confira texto sobre seus 18
anos em órbita em nossa sessão Cimofic), Plutão não passa de um pálido ponto
de luz contra o fundo das estrelas.



Mas mesmo assim, o estudo desse mundo distante prossegue com boas novidades.
Utilizando 20 computadores simultaneamente durante quatro anos, o cientista
Marc Buie, do Southwest Research Institute, de Boulder, Colorado, conseguiu
modelar a melhor imagem já obtida de Plutão, com detalhes nunca imaginados.
As imagens comprovam que o planeta-anão não é apenas uma bola de gelo e
rocha, mas um mundo com acentuadas mudanças atmosféricas significativas.
Usando imagens captadas em 1988 e 2002, Buie e sua equipe constatou que
a atmosfera de Plutão dobrou de massa nesse período, provavelmente devido ao
aquecimento e derretimento do nitrogênio congelado. Comparando fotos do
Hubble feitas em 1994, 2002 e 2003, foi descoberto que a região do polo
norte se tornou mais brilhante, e a do polo sul mais escura. Certamente
processos complexos que afetam a superfície visível, e só agora observados.
Segundo Buie: "As observações do Hubble são a chave para vincular essas
variações a processos climáticos ou sazonais, abrindo uma nova linha de
investigação".
Com poucos pixels de resolução, as imagens do Hubble foram tratadas
com uma técnica conhecida como "dithering", onde múltiplas imagens
ligeiramente deslocadas são combinadas para formar uma cena, simulando uma
imagem em alta resolução. "Isso levou quatro anos e 20 computadores operando
continuamente", diz Buie, que também desenvolveu os algoritmos especiais
utilizados.
O resultado é mostrado nas imagens, elaboradas com cenas captadas pelo
Hubble entre 2002 e 2003. Na imagem central se destaca uma misteriosa mancha
clara que é rica em monóxido de carbono congelado.



Essas imagens serão usadas para planejar a aproximação da sonda New
Horizons, lançada em 19 de janeiro de 2006, e que passará por Plutão em 14
de julho de 2015, e a mancha brilhante será um dos principais alvos. Depois
do encontro com o planeta-anão e seu satélite Caronte, a New Horizons deverá
seguir através do Cinturão de Kuiper, uma vasta região onde existem inúmeros
outros objetos, incluindo Eris, outro planeta-anão maior que Plutão.
Por sinal, confiram outro artigo sobre Plutão, da época em que foi reclassificado como planeta-anão, em nossa sessão Cimofic, e descubram o nome que esse mundo quase teve. Os trekkers ficarão malucos...