Especial fim de ano: Filmes do Garrettimus PDF Imprimir E-mail
Escrito por Renato Azevedo   
Sex, 23 de Dezembro de 2005 13:22
O Natal está chegando. E Natal faz com que nos lembremos de infância, de brincadeiras, de jogos, de amigos e de filmes. Sim, filmes! Nós, do Aumanack, preparamos, em homenagem ao Natal, um artigo especial em que cada membro do site comentou sobre os cinco filmes favoritos da infância! Divirtam-se!

A História Sem Fim (1984).
The Neverending Story (de Wolfgang Petersen).




Bastian Bux (Barret Oliver), um imaginativo garoto que acabou de perder a mãe, sente-se só e vive importunado por valentões do colégio. Ao fugir dos garotos, Bastian adentra uma loja de livros e toma emprestado, de uma maneira nada convencional, um volume muito especial: "A História Sem Fim". Ao começar a lê-lo, escondido na escola, o jovem descobre o maravilhoso mundo de Fantasia, um lugar que, aliás, ajudará, ao lado de personagens inesquecíveis, a salvar da ameaça definitiva: o Nada.

Esta pequena jóia da década de oitenta, um clássico absoluto do período e referência - direta e indireta - usada em produções posteriores, foi baseada no livro homônio do escritor germânico Michael Ende e procura mostrar, alegoricamente, a tênue linha divisória entre realidade e fantasia, entre imaginação e pragmatismo.

Antes, porém, penso que o filme (e o livro) seja uma apologia à importância da imaginação na vida do Homem; como ela e a realidade, a todo tempo, misturam-se e afetam-se mutuante. Preste atenção à irresistível trilha sonora composta por Giorgio Moroder e Klaus Doldinger, ora eletrônica, ora orquestrada, além da bela música tema gravada pelo - hoje - desconhecido cantor Limahl. Impossível, também, não se apaixonar por Falkor, o dragão da sorte! Mas cuidado: não deixe que o Nada domine sua vida!


Viagem ao Mundo dos Sonhos (1985).
Explorers (de Joe Dante).



Ben (Ethan Hawke), um menino imaginativo e fã de Ficção Científica, passa a ter estranhos sonhos sobre placas de circuito-impresso e componentes eletrônicos. Na companhia do amigo - e geniozinho da ciência - Wolfgang (River Phoenix) e do solitário Darren (Jason Presson), Ben acaba por descobrir o real significado de tais sonhos: o esquema para a criação de uma nave espacial feita de energia pura, a qual levará os meninos ao encontro de um destino inusitado - além de nosso mundo.

"Viagem ao Mundo dos Sonhos" é uma doce aventura sobre a importância dos sonhos e da imaginação; sobre o poder de se compartilhá-los. É, também, um filme acerca das amizades especiais da época de nossa meninice, de quando éramos garotos e meninas, do tempo em que tínhamos um mundo à nossa frente por explorar. O desfecho de Explorers, o clímax, está impregnado de um discurso metalinguístico relacionado à Ficção Científica e ao estereótipo do alienígena "malvado", quando, na verdade, o Homem seria o arquiinimigo de si mesmo, o único verdadeiramente capaz de se destruir. Os destaques da película, ao meu ver, são a trilha sonora, composta por Jerry Goldsmith, a direção eficaz de Joe Dante e a atuação brilhante de River Phoenix ainda garoto.


E.T. O Extraterrestre (1982).
E.T. The Extraterrestrial (de Steven Spielberg).



Elliott (Henry Thomas) e os irmãos, Gertie (Drew Barrymore) e Michael (Robert MacNaughton), sofrem com o afastamento do pai, ausente, ao lado da mãe em uma típica cidadezinha suburbana dos E.U.A. Em uma noite bonita, um pequeno alienígena acaba deixado para trás, na floresta, quando a nave em que estava parte apressadamente para o Espaço. O ser, perdido na Terra e batizado posteriormente de E.T., acaba justamente no quintal de Elliott, quando se encontra com o menino e, então, uma linda amizade floresce paulatinamente. O problema: pesquisadores do governo estão atrás de E.T., que fará de tudo para "voltar para casa".

Escrever sobre "E.T." é, como dizem, "chover no molhado". Trata-se de uma belíssima e delicada história de amor e de amizade, contada do ponto de vista das crianças por meio da utilização de câmeras à baixa estatura, ou seja, emulando o olhar e a altura dos infantes. A cena final, em que E.T. finalmente parte, é uma das mais comoventes e sinceras do Cinema, pois os atores mirins demonstraram, de verdade, seus sentimentos, já que o filme foi rodado na sequência em que o vemos; fato que proporcionou laços afetivos entre as crianças e o ser fictício. A direção mais que competente de Steven Spielberg, que deu enfoque aos pequenos detalhes, e a trilha sonora de John Williams são os destaques. Curiosidade: "E.T." ganharia logo uma seqüência cinematográfica, e um tratamento de roteiro, "Nocturnal Fears", chegou a ser co-escrito por Spielberg e por Melissa Mathison, a roteirista original. Como se sabe, tal filme sequer foi rodado, mas a continuação apareceu em formato literário: a obra "E.T. no Planeta Verde", escrita pelo premiado autor William Kotzwinkle.


Os Heróis não têm Idade (1984).
Cloak & Dagger (de Richard Franklin).

 

Em San Antonio, Texas, David Osborne (Henry Thomas), um imaginativo garoto de onze anos de idade, acabou de perder a mãe. Como única companhia, já que o triste e atarefado pai (Dabney Coleman) não lhe dá a devida atenção, há um espião e amigo imaginário, Jack Flack (interpretado também por Dabney Coleman), que acaba por dar conselhos ao menino.

Davey adora jogar videogame e brincar de espionagem, e tem como parceira a menina Kim Gardener (Christina Nigra). Em um dia fatídico, ambos vão ao edifício da empresa de eletrônica Textronics, a pedido do amigo nerd, Morris (William Forsythe), e o menino finge cumprir uma missão secreta. Durante a brincadeira, contudo, David vê-se cara-a-cara com assassinos reais quando um estranho homem, baleado, entrega-lhe um cartucho - de Atari - do jogo "Cloak & Dagger", nome que dá título ao filme, e lhe pede que o leve e o mantenha em segurança. Tal cartucho especial, na verdade, contém o blueprint (a planta) de um novo avião espião americano, ultra-secreto. O objeto poderia ser levado para fora dos E.U.A. se caísse em mãos erradas, e o segredo, revelado. A partir daquele momento, o jovem inicia, "auxiliado" por Jack Flack, uma corrida para escapar dos bandidos, que raptam a pequena Kim e o perseguem implacavelmente por diversos pontos da cidade de San Antonio.

Em "Os Heróis não têm Idade", rodado em 1983 e lançado em 1984, a tônica do enredo tem a ver com o rito de passagem da infância para a vida mais adulta, isto é, com o processo de abandono dos heróis, imaginários ou de brinquedo, das histórias mirabolantes de piratas e conquistadores do espaço, dos videogames e seus beep-beeps (à época do filme, os videogames eram vistos como um produto genuinamente infantil.), e com a perda da inocência, da ingenuidade; tudo em prol da aquisição de novas responsabilidades, do amadurecimento. Os destaques são as atuações de Henry Thomas, como Davey, e de Dabney Coleman, que encarou a difícil tarefa de interpretar dois personagens distintos. A cena final é linda e muito comovente.


Os Goonies (1985).
The Goonies (de Richard Donner).



Penso que não exista um filme que melhor represente a Geração Oitenta como "Os Goonies", clássico produzido e escrito por Steven Spielberg, roteirizado por Chris Columbus e dirigido por Richard Donner. Em "Os Goonies", um grupo de amigos, Mikey (Sean Astin), Bocão (Corey Feldman), Data (Jonathan Ke Quan), Gordo (Jeff Cohen), Brand (Josh Brolin), Andy (Kerri Green) e Stef (Martha Plimpton), vê a amizade de longa data ameaçada por um milionário que pretende demolir as casas do bairro em que moram, conhecido como Goon Docks (Docas Goon), a fim de lá construir um campo de golfe, já que os pais da garotada não têm dinheiro suficiente para cobrir a hipoteca do local.

Desesperados por causa da separação iminente, os meninos se decidem por partir juntos para uma nova e última aventura quando descobrem, no sotão da casa de Mikey, um suposto mapa de um tesouro do pirata Willy Caolho. Munidos de suas bicicletas, de alguns apetrechos e de muita coragem, os Goonies partem, então, em direção ao ponto inicial indicado no mapa: o restaurante da família de bandidos conhecidos como Fratelli. E em meio aos bandidos, quem diria, conheceriam o mais novo amigo e membro do grupo, Sr. Sloth (interpretado pelo falecido John Matuszak), um personagem que passou a morar nos corações dos fãs.

"Os Goonies" é uma aventura mágica sobre os tempos de infância, sobre as amizades sinceras das quais dispusemos quando crianças e pré-adolescentes. Aos poucos, o espectador passa a ser envolvido nessa amizade contagiante e não mais consegue se desvencilhar dela. É difícil, concordo, apontar os destaques deste filme, pois tudo foi muito bem-feito e pensado: a direção, a trilha sonora (lembram-se da música tema cantada por Cyndi Lauper?), os atores mirins, os efeitos, o navio pirata etc. O clássico de uma era!