| Entrevista com Guilherme Briggs – TRANSFORMERS, O FILME |
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| Escrito por Garrettimus |
| Dom, 15 de Julho de 2007 21:39 |
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Confira a entrevista exclusiva concedida para o Aumanack. Ele tem sido um dos dubladores mais atuantes do cenário brasileiro há pelo menos dez anos. É talentoso, divertido, humilde e extremamente bom no que faz. Estamos falando de Guilherme Briggs, a voz de personagens tão distintos quanto Freakazoid e Optimus Prime. Sim, Guilherme dublou o líder dos Autobots em quatro oportunidades, inclusive no novo filme dos Transformers que estreará nesta sexta-feira, dia 20, em circuito nacional. O Aumanack bateu um papo bem legal com Guilherme, focado exatamente na película dos robôs que se transformam. Além de dublar, ele dirigiu a dublagem no estúdio Delarte, no Rio de Janeiro. Com vocês, o Líder Optimus, Guilherme Briggs. ![]() Aumanack: Guilherme, você é a pessoa que mais dublou o Líder Optimus, tendo interpretado o personagem em quatro oportunidades diferentes. Antes de dublá-lo, conte para a gente que tipo de ligação tinha com os personagens. Você era fã? Assistiu ao desenho à época? Qual, em sua opinião, era o "tchan" dos Transformers? Guilherme Briggs: Transformers faz parte daquele imaginário dos anos oitenta que tanto nos fascinou. Era a época do início dos vídeo-jogos e do auge dos jogos de tabuleiro como Detetive, Banco Imobiliário e War, dos bonecos do Falcon, da revista MAD, do Pica-Pau, dos Trapalhões na TV. No cinema tínhamos Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, Goonies, Karate Kid, De Volta para o Futuro, Caça Fantasmas. Nas lojas de brinquedos, além dos próprios bonecos de Transformers (que só ficaram com seus passados e origens conhecidas quando lançaram os quadrinhos no Brasil), vendiam o Genius, Merlin, Vitrolinha Phillips, Ferrorama, Playmobil... Enfim, uma época mágica e inesquecível. O líder Optimus fazia parte do grande panteão de heróis míticos de minha infância, juntamente com o Speed Racer, com os personagens de Patrulha Estelar, Kirk, Spock e McCoy (de Jornada nas Estrelas) e os heróis Marvel e DC. Por isso, quando falo do Optimus ou de Transformers, sempre vem uma onda de nostalgia, de finais de tarde de brincadeiras, de lanchinhos preparados pelas nossas mães e avós, de revistas em quadrinhos espalhadas pela cama. Faz parte de um inconsciente emotivo muito forte. Uma coisa que eu sempre percebi em Transformers foi uma espécie de influência Arthuriana nos personagens. Optimus é visivelmente o Rei Arthur, que carrega em si próprio uma espécie de Escalibur (Matriz da Liderança) e inspira a todos, que o servem por vontade própria, com profundo carinho e reverência, como a um grande pai protetor e sábio. Como sempre fui apreciador de arquétipos, de mitologia em geral, vi em Transformers várias influências muito interessantes e inteligentes, além do fato de ser o desejo de todo menino ter um carro que se transforma em seu melhor amigo de metal... AM: Conte-nos em quais séries dublou o Líder e, caso se lembre, as facilidades e dificuldades de cada série. Qual seu Prime favorito? GB: O meu favorito de dublar foi o Optimus do filme de cinema. Foi extremamente emocionante poder ver a materialização de um sonho de criança em película, na tela grande, sentir a interação dos Autobots com os humanos em um filme, com um realismo e estilo fantásticos, assombrosos. O Optimus Primal, de Beast Machines, vem depois, pois foi o que aprofundou mais a psique do personagem, mas mesmo assim, não tanto quanto deveria, acho que ficou devendo muito, infelizmente. Eu achei que os Optimus em Robots in Disguise e Armada poderiam ter sido mais complexos, mais explorados, ficaram fracos em minha opinião. O melhor Líder é sem dúvida o da G1, que eu não fiz, que foi maravilhosamente bem dublado pelo grande Celso Vasconcelos e depois pelo saudoso Darci Pedrosa, não há o que se discutir, clássico dos clássicos. GB: Eu conheci o Celso durante uma convenção de fãs de Transformers chamada TRANSCON, nós fomos chamados para palestrar. Foi muito bom poder entrar em contato com quem realmente curtia e conhecia a série, ouvir suas opiniões, responder suas questões e dúvidas, exibir um making of da dublagem de Robots in Disguise, divertindo todos com minhas palhaçadas e loucuras. O Celso é uma pessoa muito madura, na dele, tranqüilo, muito vivido e experiente. Gostei muito de absorver essa experiência dele e escutar seus “causos” da época em que ele dublava. Transformers acabou tendo uma conexão emocional ainda mais forte, pois foi justamente nesta convenção que eu conheci pessoalmente a minha querida esposa Fran. Antes, nós nos correspondíamos pela Internet, éramos amigos apenas e combinamos de nos encontrar durante a minha palestra. Foi amor à primeira vista... ^__^ AM: Como se envolveu na direção e na dublagem do filme dos Transformers? Como o trabalho "caiu na sua mão"? GB: O meu chefe, Sergio De la Riva, diretor da Delart, empresa de dublagem que eu trabalho como diretor de dublagem e dublador me chamou em sua sala e me entregou o material do filme, para meu total espanto e alegria. Falou algo do tipo: “Esse filme que vou te dar é a sua cara”, me deixando completamente sem voz... Meu Deus, Transformers, o filme de cinema?? Só sei que quando cheguei em casa, comecei a imediatamente assistir, ler, relembrar e pesquisar absolutamente tudo que eu tinha da série. Li o script original no mesmo dia, assim como o filme, que estava cheio de travas de segurança e telas escuras, para evitar a pirataria. Foi uma emoção parecida quando vi, pela primeira vez, o Episódio I de Star Wars, pois iria traduzir para cinema. Um impacto fulminante, você até escuta o coração batendo forte pelo pescoço! GB: Quando eu recebi os testes de voz para os Autobots e Decepticons nem pestanejei, já fui convocando o José Santacruz para o Megatron e o José Santana para o Starscream. Uma coisa que eu achei muito legal da parte dos produtores americanos e da equipe do Michael Bay, foi que eles enviaram vários formulários com questões sobre os dubladores convocados. Além de requisitarem biografias anexas, para que pudessem comprovar a experiência de trabalhos posteriores dos dubladores brasileiros, a produção do filme de Transformers fez questão de saber se eu estava escalando algum ator que já tivesse dublado algum personagem clássico dos desenhos animados. Eles fizeram questão até de saber o motivo de ter e/ou não ter chamado tal dublador. Por exemplo, no Ironhide, eu tive que explicar que não pude chamar o dublador clássico do personagem pois já era infelizmente falecido (no caso, o saudoso André Luiz). José Santana e José Santacruz ficaram muito felizes em encarnar após muitos anos seus personagens, ao mesmo tempo em que ficaram impressionados com a mudança estética e com os efeitos especiais modernos, que são realmente assustadores. AM: Lá vai uma pergunta capciosa: quando a gente fala de desenhos dos anos 80, sempre títulos como "He-Man", "Thundercats" e "A Caverna do Dragão" são automaticamente lembrados. Na sua opinião, por que "Transformers" acaba sendo deixado para quarto ou quinto lugar na escala de "lembranças"? AM:Você acha que o filme vai agradar aos fãs hardcore da G1, ainda que os robôs tenham ganho design diferente do desenho animado? GB: Olha, pelo que eu soube, o Michael Bay tinha encomendado vários testes de animação, inclusive com o design antigo, aqueles corpos dos Transformers mais caixotão mesmo e o resultado não funcionou, acabou ficando parecido com os robôs de Power Rangers, não passa tanta veracidade como deveria. Eu acho que os detalhes clássicos foram mantidos, para termos a identificação imediata, com o acréscimo de características únicas (e polêmicas) como foi o caso da boca do Líder Optimus, que aparece no filme. O modo-batalha de Prime seria justamente com aquela proteção bucal fechando. Depois de ter trabalhado na dublagem e ter assistido inúmeras vezes, eu gostei muito e me acostumei com o design novo e acredito que os fãs irão sentir a mesma coisa. AM: Mudando um pouco o foco, que outros personagens você dublou/dubla e qual seu favorito de todos os tempos? GB: Além do querido Optimus, eu já fiz entre outros o Buzz Lightyear (Toy Story), Kronk (A Nova Onda do Imperador), Moisés (O Príncipe do Egito), Túlio (O Caminho para El Dorado), Grinch (Jim Carrey), Superman (Liga da Justiça), o Daggett (Castores Pirados), Samurai Jack, Freakazoid, Capitão Murphy de Sealab 2021 (Laboratório Submarino) e os atores Denzel Washington, Brendan Fraser e Julian McMahon, o Doutor Christian Troy de Estética (Nip/Tuck). O meu personagem favorito de todos os tempos sempre será o meu castorzinho espevitado DAGGETT, de Castores Pirados. Ele é o meu xodó absoluto. AM: Você teve a chance de colocar alguns termos clássicos da G1, como frases e nomes da dublagem brasileira, no filme? Conte como foi. GB: Sim, coloquei, por exemplo, alguns Autobots falando “Líder Optimus”. Todos os nomes como Cybertron, Autobots e Decepticons tiveram a exata pronúncia da primeira dublagem clássica: cibertrôn, autobôts e decepticôns. A frase “Autobots, transformar e rodar”, infelizmente, não foi acrescentada dessa maneira por questões de marketing, acredito. Fomos orientados a colocar “Autobots, transformar e avançar!” – talvez somente com um momento apenas falando “RODAR!” – mas isso não altera ou diminui o impacto, eu garanto a vocês. Marcus Garrett e David Nery foram muito importantes, me ajudaram muito em todo o processo. Fizeram pesquisa, deram sugestões, participaram ativamente da dublagem, o que sou profundamente grato. Afinal, ter dois amigos, pessoas que gosto, lado a lado, dando a maior força, fez toda a diferença, envolveu o filme com uma aura muito boa, mágica. Que venha logo o segundo filme!! ^__^ |